quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Crônica de um final de namoro

Eu, um rapaz ingênuo, imaginava o término de um namoro como algo semelhante ao tsunami, mas não: está mais para uma chuvinha ali no Aricanduva. Alaga, arrasta os móveis, suja o chão, deixa a sensação de tudo perdido, mas, com o tempo, é tudo reconstruído para o próximo temporal.

Acabar um relacionamento, meu caro amigo, tem três fases, na minha humilde (e não muito experiente) opinião: o período da “Fossa Generalizada”, o “Foda-se” e o da “Triste Solidão”. Explico:

Fossa Generalizada: é aquele estágio logo após o desastre. Você acabou de terminar o namoro e tudo te lembra a pessoa: o tênis verde que vocês compraram juntos, os momentos felizes naquele parquinho de diversão, algum filme romântico do Kevin Costner etc. Qualquer coisa, mesmo sem relação alguma com o namoro. É nessa fase que você pensa em se matar, se jogar na frente do metrô, cortar os pulsos, entrar na câmara de gás. Mas o pior é que a vontade de se matar não é tão simples: o suicídio deve acontecer na frente da pessoa que te abandonou, para ela ver como você está sofrendo. Porra!

Foda-se: o nome já diz tudo. Ela não me quer: foda-se. Ela arranjou outro: foda-se. Foda-se a família dela. Foda-se os amigos dela, os planos. Foda-se tudo e todos. Ela nem era tão bonita assim, tinha aquelas espinhas horríveis. Eu vou embora comprar um hambúrguer, isso sim. Eu encontro outra, cara. Existem três bilhões de mulheres no mundo. Quem ela pensa que é? Foda-se!

Triste Solidão: é quando você se dá conta que acabou mesmo: a pessoa não vai voltar, vocês não vão se ver mais, nem conversar. É o fim, cara. Aì bate a solidão. Ah, era tão bom namorar, curtir juntos... agora eu estou aqui sozinho, olhando para o computador, ouvindo Los Hermanos sem ninguém para cantar comigo. E nesse momento você percebe as pessoas te olhando e comentando: “Olha lá, não é aquele garoto que terminou o namoro?”.


Depois desses estágios você já estará livre para encontrar um novo amor, uma nova paixão arrebatadora, alguém com quem dividir a escova de dentes. Mas, infelizmente, tudo isso vai acabar também, te deixando deprimido, fodido e triste. A vida é assim mesmo.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A arte de ser fodão - Por Leandro Machado e Jefferson Sato

A frase “um cara fodão sempre será um cara fodão” talvez defina o espírito do tema: personagens de sagas literárias, cinematográficas e televisivas que, de tão singulares, emblemáticos e realizadores de grandes feitos para o progresso da humanidade, ganham a sagrada alcunha de “cara fodão”.

Um cara fodão é imortal, para início de conversa. Quer dizer, ele só morre quando deseja, escolhendo a data, o local e a razão. Um cara fodão nunca está errado: seus planos, por mais estranhos que pareçam, sempre dão certo. Nenhuma pessoa no universo supera a inteligência de um cara fodão; ninguém, absolutamente ninguém.

Um cara fodão não é mocinho nem vilão, ele está acima de tal pobre classificação. Os feitos de caras fodões desafiam a lógica e a física estabelecida pela reles humanidade. Bombas nucleares, furacões, ondas de cinco metros e os mais diversos eventos que o planeta é capaz de produzir não têm efeitos sobre caras fodões.

Segue abaixo alguns exemplos de caras fodões:

Jack Bauer (24 Horas): Certa vez, o protagonista da série 24 horas estava em um avião que caiu: só ele sobreviveu. Em outra ocasião, Jack Bauer escapou ileso de uma explosão nuclear que aconteceu na rua abaixo a que ele estava. O agente da UCT (Unidade de Combate ao Terrorismo) também já saiu vivo após ser infectado por vírus mortal, não teve sequer arranhões em terríveis acidentes de automóvel e foi perseguido sem sucesso por agentes russos, chineses e até americanos. Um autêntico cara fodão.

Dumbledore (Harry Potter): O professor da Escola de Magia de Hogwarts é tão fodão que recusou beber o elixir da vida, líquido que lhe daria a singela imortalidade. O barba branca, aliás, escolheu o dia, o lugar, a situação e até a pessoa que o mataria. E ele só morreu, é bom que se diga, porque não tinha mais o que fazer no planeta: já fizera de tudo em seus mais de 150 anos. Cansou de derrotar vilões, coitado.


Noah Bennett (Heroes): Há quem diga que este homem é um ser humano normal, sem poderes especiais. Saibam que isso é mentira. O poder dele é ser FODA e ter um plano para tudo. Inclusive, vários outros indivíduos, com e sem poderes, costumam tentar encurralá-lo com chantagens. Doce ilusão, porque no final é ele quem sai por cima. Só ele consegue bolar meios de enfrentar os mais poderosos malfeitores, fugir de prisões usando as habilidades dos outros (que isso fique claro) e discutir com o Sylar como se este fosse tão inofensivo quanto um mosquito, entre outros grandes feitos que não posso revelar por conter spoilers. Aliás, ele é tão fodão que fizeram questão de ressuscitá-lo. Quer prova maior?


John McClane (Duro de Matar): Um dos precursores da categoria “cara fodão”. Digo isso porque todos os caras fodões que apareceram depois dele tinham um pouco de John McClane em suas fodices. Ele praticamente inventou o estilo “fugir de uma situação mortal inevitável”. E ainda faz piada disso. Antes dele ninguém imaginaria um policial explodindo um andar inteiro de um prédio jogando uma bomba C4 em um buraco de elevador só para assustar um pouco. Foi também o primeiro a lutar na asa de um avião em movimento, inclusive, contra um cara bem mais forte e preparado fisicamente do que ele (venceu, óbvio). E em seu último filme, jogou um carro num helicóptero só porque ficou sem balas. “Yippie ki-yay, motherfucker!”


Gil Grissom (C.S.I.): A inteligência deste investigador fodão talvez ultrapasse os limites desses métodos de medição fajutos que realizam por aí. Certa vez, Grissom descobriu, através das qualidades de uma barata, o esconderijo de um assassino. Ele inventou todos os métodos de investigação criminal usados por esses policiais que andam pelas ruas. Grissom, aliás, é um grande autor de frases filosóficas: “adoro a humanidade, só detesto as pessoas”; ou frases com certa dose de ironia: “eles pensam que podem enganar a gente”.

domingo, 2 de novembro de 2008

Sobre heróis e algumas mentiras

Os meus sonhos e ideais para um recomeço da humanidade realmente foram para o ralo no dia em que o Sato me revelou o segredo das lutas dos Power Rangers:

– Na verdade, as batalhas eram da série japonesa. Os atores americanos só apareciam nas cenas sem ação e sem armadura. Ou seja, eram duas séries, uma japonesa (das lutas) e outra americana (com cenas do cotidiano). Apenas misturavam as imagens. – despejou o Sato, assim, como se fosse algo normal de se dizer em público.

O impacto que essa informação causou neste ser que vos escreve foi astronômico: toda a minha infância foi jogada no lixo, a imaginação pueril da mesma forma, a lembrança dos bonecos, a música que chamava os Rangers, o Alfa, o Tommy, a Astronema, a Rita Repulsa, tudo, tudo isso não faz mais sentido para mim, perdeu o valor lúdico que exercia em minha vida.

E dessa vez, meus caros, não omitirei a minha opinião: fazer isso com as pessoas é sacanagem! Enganar as crianças deste modo banal é inaceitável no mundo em que vivemos hoje. Eu sempre acreditei ser mesmo Jason dentro daquela armadura vermelha, que a Kimberly colocava o capacete de verdade, que o Billy (nerd da história) lutava contra os monstros mesmo sem saber nada de artes marciais.

E a Globo? Vocês já pensaram na Globo? Nem para nos avisar da farsa eles serviram. Pior: continuam exibindo Power Rangers para as novas gerações e não informam ninguém. Tenho pena das crianças de hoje: no futuro, elas serão iguais a mim, se sentirão humilhadas com a mentira descabida.

Enfim, me enganaram, enganaram você, enganaram meus amigos de infância e enganaram toda uma geração de crianças abandonadas na frente da televisão durante as manhãs de sábado. O que será de nós agora, camaradas? Que sentido têm as nossas vidas com essa informação? Vamos para rua! Precisamos de justiça!

Mas tudo bem, por enquanto. A batalha continua. Me recuperarei do baque. Vou ali na quitanda da esquina comprar um Quik e um gelinho americano para esquecer as mentiras do mundo. Agora só falta alguém me dizer que o Nino do Castelo Ra-Tim-Bum não tem mesmo 300 anos. Aí eu morro.