sábado, 6 de setembro de 2008

A lista e a falta de assunto

Eu não sei você, mas eu odeio ficar sem assunto para escrever aqui no Neurolistas. O Sato sempre tem assuntos pertinentes: coisas do jornalismo, visões de mundo, música etc. O Daniel é outro que não deixa de ter temas interessantes: dor de barriga, Carla Peres, Gabriel García Márquez, entre outros.

Já eu, não sei bem o porquê, estou sem assuntos nos últimos dias. Passei séculos esperando algo excêntrico acontecer comigo: talvez uma berinjela recheada atravessasse meu caminho, ou, quem sabe, a mina de Direito virasse para mim e dissesse: “Eu te amo, Leandro, sempre te amei e vou sempre te amar”. Mas não: nada disso aconteceu.

A solução para falta de assunto é, como sempre, fazer listas! E a de hoje será sobre coisas e situações que incomodam profundamente a minha pessoa e que me deixam com a vontade de empunhar uma espada japonesa e matar todos os seres deste universo.

Segue a lista:

- Suco de caju;

- Chegar em um lugar e a pessoa falar: “Nossa, você não penteou o cabelo?”;

- Levar susto. Ainda mais quando eu tenho certeza que ali tem um ser humano escondido apenas para me assustar e, mesmo assim, caio na armadilha;

- Alguém dizer que odiou o melhor livro que eu li: “Ah, eu achei o livro superficial e vazio.”;

- Alguém dizer que achou algo “vazio”;

- Filmes/livros/seriados que têm cenas de despedida entre amigos (ou namorados) e está chovendo no lugar: Exemplo: O Caçador de Pipas. Por que, Deus, não podem fazer uma cena dessas com o dia ensolarado?

- Filmes em que a cena mais importante (perseguições, tiroteios etc) é decidida por coisas sem a menor ligação com a história, como pombos ou ratos. Exemplo: O Código Da Vinci;

- Gente que pede dinheiro em porta de show: “Você tem cinco reais para me ajudar a entrar?”. Pior: “Você tem dois contos para MIM comprar uma pinga ali?”, “Não, cara, não tenho”, “Tem sim, dois reais, mano...só uma pinguinha”, “Eu não tenho, porra, não tenho, não tenho, não tenho e não tenho!”;

- Alguém repetir as seguintes frases em um intervalo menor que 15 segundos: “Tipo assim”, ou “Tipo, sei lá”, ou “Tipo assim, sei lá”.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O Gênio Colombiano







A discussão sobre literatura ou arte de uma forma geral é sempre muito interessante. Levantar pontos favoráveis ou não sobre um determinado autor é algo que enriquece a arte e seus apreciadores. Mas existem obras e autores que são considerados pelo velho chavão “foras de série”. Ao pensar em uma lista com grandes autores considerados gênios, poderíamos ter vários nomes que se destacaram ao longo da história, mas quais se destacam nos dias atuais? Gabriel García Márquez, com certeza estaria na resposta a esta pergunta. Nascido em 1927 na cidade de Aracataca no interior da Colômbia, Márquez, que também responde as alcunhas de Gabo ou Gabito, é considerado um dos mais brilhantes escritores latino americanos. O escritor colombiano é filho de Eligio García e de Luiza Santiaga Márquez Iguaran. Sua família e infância foram muito importantes para a formação dos personagens de suas obras, as histórias contadas por sua avó Tranquilina Iguarán afetaram Gabo por toda a sua vida e o influenciaram em alguns de seus livros. Ele viveu em sua cidade natal até os oito anos de idade, quando sua família foi obrigada a se mudar, devido a crise bananeira que afetou a região. Estudou em Barranquila e no Liceu Nacional de Zipaquirá e em 1947 mudou-se para Bogotá para estudar Direito e Ciências Sociais. Não chegou a completar. Em 1948 começa a desempenhar sua função como jornalista. Passou por diversos jornais na Colômbia e chegou a ser correspondente na Europa e em Nova York, no entanto sua ligação com Fidel Castro e suas críticas aos exilados cubanos o fizeram abandonar os Estados Unidos por perseguição da CIA. Casou-se com Mercedes Barcha com quem teve dois filhos: Rodrigo e Gonzalo. Formou-se também em cinematografia na Itália e é hoje mundialmente conhecido como um dos romancistas mais brilhantes.



Literatura



García Márquez é considerado o criador do realismo-fantasia na América Latina. O colombiano afirma que deve isso a influência das obras de Franz Kafka, com destaque para “A Metamorfose” que marcou sua juventude, é o que afirma o autor: “Indaguei se poderia criar acontecimentos impossíveis ao ler em 'A Metamorfose': “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”.
Sua primeira obra foi “La Hojarasca”, publicada em 1955. Em 1965 escreve a obra “Ninguém escreve ao coronel”. A obra “Relato de um náufrago” foi primeiramente publicada no jornal “El Espectador”, virando livro anos mais tarde. Entre as obras de Gabo, se destacam também “Crônica de uma morte anunciada”, “Amor nos tempos de cólera”, “O outono do patriarca”, “Os funerais da mamãe grande” entre outros. Mas nenhuma delas é tão brilhante como “Cem anos de solidão”, obra vencedora do prêmio Nobel de Literatura de 1982. Gabriel García Márquez está sempre afirmando que o bom escritor sempre escreve sobre o mesmo tema, e que em seu caso o assunto sempre abordado é a solidão. A obra vencedora do Nobel conta a história da família Buendía na cidade de Macondo ao longo de cem anos. As semelhanças com as revoluções e o desenvolvimento da cidade do livro com outros países latino americanos são intencionais. Gabo em “Cem anos de solidão” transmite com precisão a dor e a solidão oriundos de sentimentos como orgulho e inveja em uma estirpe condenado ao sofrimento. Para o autor sentimentos tão comuns ao ser humano que faz com que as histórias pareçam se repetir em todas as gerações da família Buendía. A força e o desgosto da centenária Úrsula - talvez a personagem mais importante do livro - em resgatar sua família que a cada geração se torna mais infeliz são sentidos pelo leitor como se tais sentimentos transbordassem do livro. A amargura de Amaranta que passa uma vida inteira de sofrimento pelo seu próprio orgulho e o destino trágico de seus irmãos, levam a uma tentativa de Úrsula de mudar o destino dos Buendía, que parecem estar condenados a infelicidade até o fim de seus dias. Na obra Gabo sintetiza de maneira brilhante elementos como natureza, crises sociais e políticas, a morte, o amor, o humor, forças sobrenaturais e logicamente a solidão. Márquez é mais que um escritor, é um gênio do nosso tempo.


Vá agora comprar um livro de Gabriel García Márquez, ou você irá queimar no inferno por toda a eternidade! Recomendo “Cem anos de Solidão.”

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Drogado de música

Música!

Isso mesmo, música. Não estilos, não tribos, não classificações, não nomes pré-determinados e subjetivos. Apenas a música em sua forma mais pura. A boa música, que nada mais é do que aquela que nos agrada individualmente. Exato! É simples assim.

Ando pensando bastante nisso. Fiz um perfil no Last.fm esses dias. Para quem não sabe, é um site de relacionamentos, mais ou menos nos moldes do Orkut, mas baseado em música. É uma ferramenta divertida, tenho que admitir. Mas fiquei meio perturbado ao ver algo que eu já sabia que acontecia: as pessoas dão um monte de estilos diferentes para uma mesma coisa. Ah, a banda 'X' é indie. Não, é punk. Não, eu acho que é folk. Espera, tenho certeza absoluta de que é skacore!

É irritante. Nunca gostei desse negócio de rotular as coisas. Quando eu era mais novo, eu dizia que era punk, porque eu sempre gostei da idelogia num geral. Eu me considerava um. Mas o que as pessoas faziam era me olhar da cabeça aos pés e dizer: "Com essas roupas? Com esses cabelos?", e percebi que pouca gente vê além da aparência. Há muitos punks que não se vestem como um (como todos no Bad Religion, por exemplo). Para ser adepto de uma filosofia, você precisa mudar sua cabeça, não sua aparência externa. Por isso que hoje só existem posers no cenário musical. Legal, se o cara se veste como punk, então ele é punk. Uau, que genial. As pessoas esquecem que, antes de ser qualquer coisa, elas são elas mesmas.

É assim na música também: antes ter um estilo, ela é apenas música e isso que é o legal. Há tantos rótulos para uma mesma coisa, que não chega-se a consenso nenhum. E mesmo se chegasse, isso não faria a menor diferença. Não pode existir no mundo alguém que só ouve um determinado tipo de música. Se existir, essa pessoa é uma grande idiota, ela merece morrer. Música é a coisa mais legal que o ser humano inventou (ou devo dizer: adaptou). Como alguém pode não apreciar isso?

Estou com uma banda nova. A outra, sei lá para onde está indo. Mas não importa. Eu vivo querendo montar bandas com todo mundo! Se você quiser, é só dar um toque! Mas sem essa de "não, vamos levar essa banda a sério". Claro que eu levo a sério sempre, mas, acima de tudo, eu gosto de me divertir com a música. Putz, a banda não deu certo? Não importa, foi legal e valeu a pena enquanto durou! É extremamente prazeroso juntar um grupo de pessoas e fazer um som! Estou sempre falando para um monte de gente: "vai lá, aprende a tocar algum instrumento". Não importa se você não é habilidoso ou não tem talento. Apenas faça para se divertir, porque é BOM! É relaxante!

Eis o melhor conselho que posso dar para as pessoas, especialmente agora que é férias: vá e aprenda a tocar um instrumento! Não tem dinheiro pra fazer aula? Não precisa, pega uma base em casa mesmo. A internet tem um monte de lugar que ensina. Instrumentos são caros? Poxa, compre uma gaita, custa 30 reais uma simples da Hering. Compre instrumentos usados, vende em todo canto. Um violão, uma guitarra, um cavaco, um banjo, um teclado, o que você quiser. Você é ruim tocando? Não importa, continue tocando! O que vale é você apreciar a música. Não estilos, não tribos, não classificações, não nomes pré-determinados e subjetivos. Apenas a música em sua forma mais pura. A boa música, que nada mais é do que aquela que nos agrada individualmente. Exato! É simples assim.


Na foto: Robert Johnson que, reza a lenda, vendeu sua alma em uma encruzilhada pela música, tornando-se o rei do Delta Blues.